Fatores como esses impulsionaram aumento de 18% na procura por terrenos na região a partir de 2009, segundo dados do Sinduscon- SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de São Paulo). “O Grande ABC é a mola propulsora da indústria no Brasil e em nada deixa a desejar para a cidade de São Paulo. Por isso, tem sido cada vez mais cobiçado pelos grandes empreendedores”, destaca a diretora regional da entidade, Rosana Carnevalli.
O sucesso, no entanto, resultou na prática da lei da oferta e da procura. Os terrenos estão em falta, e os valores subiram. São Caetano foi uma das que viram o preço do metro quadrado disparar. “O valor, que girava entre R$ 1.000 e R$ 1.500/m² em 2008, é avaliado atualmente em torno de R$ 2.000 à R$ 2.500/m² em bairros como Santa Paula e Barcelona”, explica Rosana.
A novidade é que, como já não há tantos locais vazios à espera de empreendimento, os empresários do setor estão à caça de espaços ocupados. Esse foi o caso de Luis Fernando Paes de Barros, sócioproprietário de uma incorporadora. Na falta de terrenos livres, conseguiu comprar três casas na Alameda São Caetano, no bairro Santa Maria, que darão lugar a um prédio residencial de sete andares, com previsão para ficar pronto em junho de 2012. Serão seis apartamentos por andar, de dois dormitórios (tamanho de 78 m², com preço médio de R$ 270 mil) ou três (tamanho de 91 m², com preço médio de R$ 320 mil). “A área tem 1.100 m². Pagamos R$ 1,2 milhão pelas três casas, mas no total investiremos em torno de R$ 7 milhões”, adianta Luis Fernando.
SOFISTICAÇÃO
Os moradores terão ao alcance as mais variadas opções de lazer de alto padrão, como quadra de tênis, praça zen, fitness center, cinema, churrasqueira, quadra esportiva, brinquedoteca, salão de jogos, salão de festas, SPA, espaço gourmet e piscinas, entre outros.
MORADIAS EM ALTA
Lugar para morar não vai faltar. Segundo dados do Sinduscon- SP, o alvo das construtoras e incorporadoras na região tem sido os prédios residenciais, que registram 80% dos lançamentos, contra 20% dos comercias e industriais.
Algumas áreas marcadas pela presença de indústrias já começam, inclusive, a despertar o interesse dos grandes empreendedores residenciais, como o Bairro Prosperidade, em São Caetano, e o Bairro Jardim, em Santo André, próximo ao Shopping Grand Plaza, além da Vila Homero Thon. No entanto, a novidade ainda não virou tendência. “São casos pontuais que estão acontecendo, com a intenção de mesclar as características do bairro, mas sem tirar a sua vocação”, explica Rosana.
Das setes cidades do Grande ABC, uma delas tem motivos de sobra para desfrutar da procura desenfreada por terrenos. Mauá assiste à demanda por projetos aumentar, consequência da abertura do Trecho Sul do Rodoanel e dos trabalhos de finalização do Complexo Viário Jacu-Pêssego, que valorizaram o município.
Mauá entrou na rota dos mais requisitados nos últimos anos, ao lado de Santo André, São Bernardo e São Caetano. O preço do metro quadrado, que em 2008 estava avaliado em cerca de R$ 120, já não é o mesmo. “A cidade se tornou ponto estratégico para alcançar as principais rodovias do Estado de São Paulo. A procura por terrenos está cada vez maior e o preço hoje gira em torno de R$ 150 e a R$ 500/m²”, destaca Rosana Carnevalli.
A localização privilegiada foi um dos motivos que fizeram o serralheiro Carlos Alberto Elias das Silva, 53 anos, decidir abrir uma loja no município. No entanto, a falta de opções e os valores inflacionados estão atrapalhando. “Procuro um terreno há quatro meses, mas está difícil. Ou não acho ou está muito caro. Já me pediram R$ 1 milhão por 500 m² e R$ 600 mil por outro de 300 m². É um absurdo”, reclama.
Uma das áreas mais cobiçadas é o Parque São Vicente, bairro praticamente colado ao Trecho Sul do Rodoanel e que receberá, até 2012, um complexo habitacional preparado para receber perto de dez condomínios. Há prédios em todas as fases de construção: prontos para entrega, perto da conclusão e ainda em produção inicial.
Apartamentos em troca de terrenos: lucro mais do que certo
Na hora de vender um terreno, o que o proprietário mais quer é sair ganhando, e bem. Por isso, apesar de muitas pessoas preferirem dinheiro em mãos, a permuta mais praticada entre os donos do pedaço e as incorporadoras é incluir na transação um ou mais apartamentos do futuro empreendimento.
“A maioria tem optado por estocar imóveis porque poderá revender por preço mais alto. Eu sempre incentivo esse tipo de troca já que é a mais vantajosa. Só é preciso avaliar bem o histórico da empresa, se ela é mesmo confiável, para não cair em golpe”, recomenda Leandro Leal, gerente comercial de consultoria de imóveis.
OUTRA OPÇÃO
Segundo Ricardo Di Folco, diretor de uma incorporadora, há outra opção de barganha. “Geralmente, é comum negociarmos o terreno em troca de apartamentos prontos em outros prédios. Hoje em dia, muitas pessoas estão preferindo negociar dessa forma”.
Há quem prefira fechar negócio com dinheiro no bolso, mas fica para os proprietários de terrenos do Grande ABC a dica de que o mercado imobiliário está aquecido e pronto para ser explorado.
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